Perfil

A D’Data é uma empresa de consultoria em Engenharia Farmacêuca, Boas Práticas de Fabricação e Garantia da Qualidade.

MSD decide fechar fábrica de vacinas contra aftosa no país

A MSD Saúde Animal, braço veterinário da farmacêutica americana Merck, confirmou ontem que vai fechar a fábrica de vacinas contra a febre aftosa localizada em Fortaleza (CE), conforme antecipou o Valor. A companhia permanecerá no mercado, mas a produção das vacinas será terceirizada para a brasileira Vallée.

De acordo com a MSD, a fábrica de Fortaleza encerrará todas as atividades até março deste ano. A produção efetiva, no entanto, está paralisada desde junho do ano passado por determinação do Ministério da Agricultura. Desde então, a empresa trabalha apenas com os estoques de vacina produzidos antes da paralisação.

A multinacional americana foi obrigada a suspender as atividades da fábrica cearense para se adequar às novas regras de biossegurança adotadas pelo Ministério da Agricultura em março de 2012. A unidade da empresa tinha problemas na chamada "área biocontida", responsável pelo processo de inativação do vírus - o antígeno do vírus é "morto" mas mantém a capacidade imunológica.

Após submeter o problema à direção global da companhia, a MSD decidiu não fazer as adequações. O Valor apurou que a empresa considerou muito alto os investimentos necessários para retomar a produção da fábrica. Por conta disso, a produção terceirizada se tornou a opção mais viável para a empresa. Até a paralisação, a empresa detinha a maior fábrica do gênero no país, com capacidade para produzir 140 milhões de doses por ano.

A estrutura do parque produtivo brasileiro também pesou na decisão da MSD. Com excesso de oferta de vacinas contra aftosa, algumas empresas chegaram a registrar quedas no faturamento com as vendas do produto em 2011. Essas vacinas representam cerca de um quinto do faturamento do setor de saúde animal no Brasil. A MSD fatura cerca de R$ 500 milhões por ano.

Ontem, a multinacional americana também anunciou seu novo presidente no Brasil, o veterinário Edival Santos. O executivo substitui Vilson Simon, que foi para o cargo de liderança global de operações comerciais da MSD.

No comando da companhia no país, Santos terá o desafio de estruturar essa nova estratégia da companhia para a aftosa. O fim das atividades da empresa em Fortaleza também reduz o "tamanho" da MSD no Brasil. Agora, a companhia possui apenas uma fábrica de parasiticidas em Cruzeiro (SP), município localizado no Vale do Paraíba.
 
Luiz Henrique Mendes | De São Paulo
Valor Econômico

O homem de 16 bilhões de pílulas

Como Luiz Donaduzzi, sócio de um laboratório paranaense, pretende passar a produzir mais da metade dos comprimidos e doses de medicamentos genéricos do mercado brasileiro.

A cerca de 150 quilômetros das Cataratas do Iguaçu, uma fábrica no município de Toledo, na região oeste do Paraná, produz anualmente dez bilhões de pílulas, comprimidos e doses líquidas de medicamentos genéricos. É um número que chama bastante a atenção, em especial por representar mais de um terço da produção nacional. O responsável por esse desempenho é o laboratório Prati-Donaduzzi, dono de um faturamento de R$ 500 milhões em 2012. Fundado há duas décadas pelo farmacêutico gaúcho Luiz Donaduzzi com a sua esposa, Carmen, o irmão Arno Donaduzzi e o genro Celso Prati, o laboratório prepara-se para um novo salto. Está investindo R$ 100 milhões em uma nova unidade industrial em Toledo, com previsão de inauguração em outubro de 2014.

Com ela, sua produção alcançará 16 bilhões de medicamentos, um crescimento de 50%. Apesar desse tamanho e do gigantismo dos números, a Prati-Donaduzzi é praticamente desconhecida no mercado nacional. Até recentemente, sempre operou fora do radar dos consumidores finais e das grandes redes de farmácias. Seu foco são os remédios de baixos preços vendidos para hospitais, por meio de licitações governamentais. Entre os seus maiores sucessos de vendas estão genéricos de omeprazol, voltado a disfunções gastrointestinais, e do analgésico paracetamol. "Vamos investir agora em remédios de maior valor agregado", afirma Luiz Donaduzzi, presidente da Prati. O objetivo dessa estratégia é atingir novos mercados, sem perder, no entanto, o espaço conquistado nos hospitais.

Lentamente, a empresa já vem diminuindo a dependência do segmento. Em 2010, cerca de 90% da sua receita vinha das vendas hospitalares. No ano passado, já caíra para 60%, graças ao aumento do portfólio de produtos. Atualmente, a Prati vende 107 genéricos, mas já possui outros 50 medicamentos aguardando aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Para 2014, a meta é desenvolver 70 novos remédios. Está em seus planos produzir de forma terceirizada para grandes farmacêuticas multinacionais. Nessa nova leva de produtos, estão previstas áreas nunca antes exploradas pela empresa, como as de medicamentos para tratamento oncológico e remédios de marca própria com prescrição médica.

"Vamos aumentar em 25% nosso investimento em pesquisa e desenvolvimento", afirma Donaduzzi. "O mesmo percentual será aplicado em marketing." Uma das primeiras iniciativas nessa área é o patrocínio a uma equipe de stock car, caminho também seguido pelas fabricantes de genéricos rivais Eurofarma e Medley. A Prati também pretende, com o lançamento de novos medicamentos, ampliar o peso do varejo nos seus negócios, cuja atuação atualmente é focada em redes menores e regionais. "As grandes redes de farmácias vêm nos procurar, mas ainda não temos capacidade para atendê-las", diz Eder Maffissoni, vice-presidente da farmacêutica. Para levar à frente seu projeto de expansão, a saída foi buscar em São Paulo funcionários de grandes empresas, incluindo de rivais.

Dos atuais oito diretores, cinco foram contratados em 2012. Outros sete gerentes de primeiro nível também foram recrutados fora. "Avisei o Carlos Sanchez (dono da EMS) de que estava sendo sondado pela Prati e iria visitá-los, mais para conhecê-los do que por interesse em mudar de emprego", diz Marco Aurélio Miguel, ex-diretor de marketing da EMS, que assumiu o mesmo cargo na Prati. "Quando cheguei em Toledo, fiquei impressionado com o projeto e com o tamanho da fábrica." Fontes do mercado afirmam que um dos motivos para os planos de reformulação da Prati está no interesse de vender parte de seu controle. O que é negado por Donaduzzi. "Somos apaixonados pelo trabalho e não faz sentido começar em outra atividade agora", diz o fundador.

"Há um assédio muito grande das estrangeiras, até porque há poucas empresas de genéricos brasileiras viáveis." Além da Medley, comprada pela francesa Sanofi-Aventis, a Teuto já vendeu uma fatia de 40% para a americana Pfizer e a Multilab foi incorporada à japonesa Takeda. A EMS, líder do mercado, não tem parceiros internacionais, nem planos de se associar a eles. Independen­temente disso, Donaduzzi já prepara a sucessão no comando da empresa. O acordo entre os acionistas limita a presença de familiares na administração. "Em quatro anos, devo sair da presidência e ficar só no conselho de administração", diz Donaduzzi. "Vou preparar um sucessor, que provavelmente será o Eder Maffissoni." Algo que a empresa não deve mudar é o caráter particular do seu modelo de atuação.

A empresa não leva em conta os livros de administração que preconizam o foco estrito no negócio principal e a terceirização das atividades não centrais. A Prati prefere fazer tudo por conta própria, da operação logística à fabricação de embalagens. Até mesmo a obra da nova fábrica está sendo tocada pelo sócio Arno, que tem experiência em engenharia. O laboratório possuiu também uma estrutura própria de distribuição que rivaliza em tamanho com as maiores empresas do setor, no País, como a Panarello e Santa Cruz. A Prati leva por conta própria seus medicamentos a 40 mil estabelecimentos, o que representa 75% de suas vendas. "Não olhamos para os concorrentes para imitar estratégias, mas para saber o que fazer de outro jeito", afirma Maffissoni.

Carlos Eduardo VALIM
Isto é Dinheiro

Bionovis está prestes a definir fábrica

A Bionovis, joint venture formada entre os laboratórios Aché, União Química, Hypermarcas e EMS, deverá definir nas próximas semanas a localização de sua fábrica de medicamentos biossimilares. A Bionovis e a Orygen são consideradas as superfarmacêuticas nacionais, com apoio do governo federal, para produzir biossimilares no país.
 
Os Estados do Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo estão cotados para sediar a fábrica da Bionovis. O Valor apurou que o Rio de Janeiro apresentou a melhor proposta. A expectativa era de que a decisão fosse tomada esta semana durante reunião entre os acionistas da nova companhia. Mas não foi desta vez que o martelo foi batido.
 
A Bionovis, presidida por Odnir Finotti, foi criada no primeiro semestre deste ano. Os investimentos iniciais também serão em torno de R$ 500 milhões. Assim como a Orygen, a nova companhia poderá obter financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e também produzirá os mesmos medicamentos.
 
A meta do governo é reduzir o déficit da balança comercial da Saúde, que encerrou 2011 em quase US$ 11 bilhões. O governo também está estimulando investimentos de multinacionais no país para produzir equipamentos de diagnóstico.
 
Originalmente, a ideia era criar uma única superfarmacêutica nacional, mas por questões de afinidades os grupos se dividiram. O laboratório pernambucano Hebron também foi convidada a participar desse grupo, mas recusou o convite por não poder fazer os aportes mínimos para formar a joint venture, apurou o Valor.
 
Valor Econômico

Em crise lá fora, bebidas energéticas colhem bons resultados no Brasil

Quem vê as dificuldades que o mercado de bebidas energéticas enfrenta em alguns importantes centros consumidores do mundo, como os Estados Unidos, que tenta mudar as regras sobre a produção desse tipo de produto, pode imaginar que essa indústria está condenada a um futuro incerto.
 
Ao ver o quadro no Brasil, onde o nicho cresce acima de todos os segmentos do setor de bebidas, porém, é possível concluir que há esperanças para o setor. “Muitas empresas multinacionais do setor estão de olho no mercado brasileiro”, diz Adalberto Viviani, consultor sobre o mercado de bebidas da Concept.
 
Não é a toa que ocorre esse interesse. Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e Bebidas Não Alcoólicas (Abir) apontam que as vendas de energéticos no Brasil tiveram um crescimento de 152% entre 2008 e 2011. “O desempenho do segmento de energéticos se deve à aceitação do consumidor brasileiro, que está incorporando cada vez mais o produto em sua cesta de compras. Nos últimos anos, mais pessoas tiveram a oportunidade de conhecer o produto e aprovaram”, afirma Douglas Costa, diretor de mercado do Grupo Petrópolis, detentor da marca TNT.
 
O lançamento de versões maiores, em garrafas PET de até 2 litros, contribuiu para a chegada de um perfil de consumidor que até então não estava habituado ao produto. “Esse posicionamento mais popular é diferente do que costumamos ver em outros países”, afirma Viviani. “Mas é preciso que as empresas tenham cuidado, porque entrar em uma guerra de preços pode representar um risco à categoria como um todo.”
 
Segundo o consultor, se o marketing for bem trabalhado, o nicho ainda tem potencial de crescimento em todas as classes de consumidores. “O consumo per capita ainda é muito baixo.” Dados da Abir indicam que o consumo brasileiro de energéticos é de 0,45 litros por ano por habitante. No Nordeste, o consumo anual de cada pessoa é ainda menor, de 0,27 litros.
 
As boas perspectivas se refletem na cara do mercado, hoje disputado por competidores de porte, como Coca-Cola, dona da marca Burn, e a Ambev, que lançou no Brasil o energético Fusion. A Red Bull, maior fabricante deste tipo de produto no mundo, anunciou recentemente planos de construir uma fábrica no Brasil. O projeto, que recebeu incentivo da Zona Franca de Manaus, deve ser a primeira unidade fabril da empresa fora da Europa. “O grande desafio para quem chega ao Brasil é a capacidade de distribuição. Não adianta ter uma marca muito forte no exterior se não tiver capilaridade por aqui”, diz Viviani.
 
Álcool e esportes
 
Outro desafio a ser enfrentados pelas companhias do setor é diminuir a relação entre o consumo de produtos e as bebidas alcoólicas, muito forte no país. “Ao ser vendido como um produto para mistura, diminui o potencial de valor agregado”, afirma o consultor.
 
Para evitar essa relação, muitas marcas investem pesado na ligação de seus nomes ao esporte. O caso mais clássico é o da Red Bull, pioneira no setor, que mantém times próprios em diversas modalidades e o patrocínio a uma série de campeonatos esportivos. Outra que investe nesse tipo de estratégia é a TNT. Apesar de ter atuação focada no Brasil, a marca do Grupo Petrópolis investe no patrocínio à equipe Ferrari, de Fórmula 1.
 
A empresa também patrocina atletas, como os pilotos Felipe Massa e Fernando Alonso — ambos da Ferrari — e o lutador de MMA Júnior Cigano. “São ações que ajudam a construir a imagem do produto e aproxima os consumidores à marca”, afirma Costa, da Petrópolis. “Nosso objetivo é promover o produto como uma alternativa saudável para superar limites.
Brasil Econômico- Gabriel Ferreira

O laboratório é nosso

O Palácio do Planalto está muito preocupado com o desfecho das negociações para a venda do tradicional Laboratório Aché, um dos maiores do País e de capital 100% nacional.
 
O governo não quer nem conversa sobre a transferência do Aché para um grupo estrangeiro. As três famílias donas do laboratório, agora na segunda geração, não se entendem mais.
 
Dois sócios defendem a venda para um laboratório internacional, e o outro gostaria de manter o controle no Brasil. O governo examina com lupa o que pode ser o primeiro grande negócio do ano no País.

Guilherme Barros c/ Flávia Gianini e Luiz G.Pacete
Isto é Dinheiro

IP e Jari consumam associação em embalagem

 
A americana International Paper (IP), maior fabricante mundial de papéis de imprimir e escrever, e a brasileira Jari Celulose, Embalagens e Papel, do grupo Orsa, concluíram a constituição da Orsa International Paper Embalagens, nova fabricante de papelão ondulado com atuação no país.
 
A operação, anunciada originalmente em outubro, soma US$ 470 milhões, referentes ao investimento da IP. Em contrapartida, a Jari aportou ativos industriais na joint venture.

Com a conclusão do negócio, que foi aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no fim do ano passado, três fábricas de papel para embalagens e quatro unidades de produção de embalagens de papelão ondulado que pertenciam à Jari passam para a nova empresa, na qual a multinacional tem participação de 75%. Os ativos florestais da Jari, bem como a fábrica de celulose no Pará - cujas atividades foram suspensas -, não estão envolvidos na transação.

Para a IP, a parceria com a Jari marca sua entrada no mercado nacional de embalagens, negócio que representa importante fonte de receitas para a companhia em outros países. Com os ativos da Jari, a companhia americana assume o posto de terceira maior fornecedora local de embalagens de papelão, com capacidade produtiva de 365 mil toneladas ao ano, ou o equivalente a cerca de 9% do mercado nacional.

A presidência-executiva da Orsa International Paper Embalagens será ocupada por Marc Van Lieshout, que tinha o cargo de diretor financeiro da IP na América Latina. "Passaremos por um processo de transição mantendo o mais alto padrão de qualidade e o atendimento ao cliente", afirma o executivo em comunicado.

Em nota, o presidente do conselho de administração da IP, John Faraci, diz que o investimento está alinhado à estratégia global para o negócio de embalagens. "A International Paper está no Brasil há mais de 50 anos e estamos animados com essa parceria, que representa uma plataforma para entrada no segmento de embalagens de papelão ondulado em uma região estratégica".

No ano passado, segundo dados preliminares da Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO), as vendas domésticas de papelão, importante termômetro da atividade econômica do país, totalizaram 3,3 milhões de toneladas, com alta de 2,77% frente ao volume de 2011, e marcaram um novo recorde para a indústria.
 
Por Stella Fontes | De São Paulo
Valor Econômico

Laboratório Libbs deixa projeto que criou a Orygen

A farmacêutica nacional Libbs decidiu sair da Orygen Biotecnologia, superfarmacêutica criada com o apoio do governo federal para produzir medicamentos biológicos e biossimilares. A decisão foi tomada no fim do ano passado. Os outros laboratórios - Eurofarma, Cristália e Biolab - vão manter a sociedade e levar o projeto adiante, segundo fontes ouvidas pelo Valor.

A empresa foi criada no ano passado para produzir, inicialmente, sete medicamentos considerados estratégicos para o governo nas áreas de oncologia e artrite reumatoide. O pacote de remédios biológicos importados custa cerca de US$ 3,5 bilhões por ano aos cofres públicos

O Valor apurou que houve incompatibilidade de gestão entre a Libbs e os demais sócios. Das quatro farmacêuticas, a Libbs, cujo faturamento gira em torno de R$ 600 milhões, é mais avessa a parcerias. A decisão de sair da joint venture partiu da própria Libbs e não houve desentendimento entre as partes, de acordo com fontes familiarizadas com o assunto.

A Orygen pretende investir aproximadamente R$ 500 milhões para construir uma fábrica e iniciar a produção de medicamentos. A unidade será instalada na região de Campinas (SP). A expectativa é que os primeiros biossimilares produzidos cheguem ao mercado em três anos.

As empresas já tinham feito um pequeno aporte para começar o negócio, mas esses valores serão reembolsados e os três sócios farão um rearranjo societário. Procurada, a recém-criada superfarmacêutica confirmou a informação. "A Orygen Biotecnologia e a Libbs Farmacêutica informam a saída do laboratório da joint venture formada por Biolab, Cristália e Eurofarma. As empresas acionistas passam a deter 33,33% de participação cada. A decisão foi tomada de comum acordo entre as partes."

A nova empresa vai manter o projeto original de desenvolver os medicamentos complexos e não deverá procurar um novo sócio, de acordo com as mesmas fontes, que também negam que esse projeto poderá ser desfeito.

Desde outubro do ano passado, o bioquímico inglês Andrew Simpson está à frente da nova companhia. Simpson, com sólida carreira acadêmica, deixou o renomado Instituto Ludwig de Pesquisa de Câncer, nos Estados Unidos, para coordenar a superfarmacêutica nacional.

Além da Orygen, o governo federal também deu apoio para a Bionovis, joint venture formada entre os laboratórios Aché, União Química, Hypermarcas e EMS. Essa empresa, presidida por Odnir Finotti, ex-presidente da ProGenéricos, associação que reúne os laboratórios de medicamentos genéricos, foi criada no primeiro semestre do ano passado. A companhia ainda estuda onde irá erguer sua fábrica. Os Estados de Santa Catarina e Rio de Janeiro estão no páreo.
 
Por Mônica Scaramuzzo | De São Paulo
Valor Econômico

Bionovis assina contrato de patente de medicamentos

Empresa passa a adquirir a tecnologia para produção de drogas destinadas ao tratamento de linfoma não-Hodgkin, artrite e psoríase. Além destes dois produtos, existem mais cinco que a companhia planeja fazer no Brasil
Com investimento de R$500 milhões, a superfarmacêutica Bionovis vai assinar nos próximos dias dois contratos de transferência de tecnologia de medicamentos. Em uma parceria realizada com especialistas biossimilares, o objetivo é possuir a patente para a produção destes medicamentos no Brasil. As informações são do jornal Valor Econômico.
De acordo com a empresa, um dos medicamentos é o Etanercepte (produto da Enbrel), cuja patente venceu esse ano. Destinado para o tratamento da artrite e psoríase, ele possui maior custo individual para o governo, com investimento de R$30 mil por ano, para cada paciente.
O segundo é para produzir no país Rituximabe (da Mabthera), utilizado no combate a câncer linfoma não-Hodgkin.
Além destes produtos, existem mais cinco que a empresa planeja produzir no Brasil. Como são cópias de produtos que perderam a patente, são conhecidos como biossilimares.
A publicação mostra que dos R$ 500 milhões, cerca de R$150 milhões serão utilizados na construção da fábrica. A localização do projeto está sendo disputada por três Estados: São Paulo, Rio de Janeiro, e Santa Catarina.
 O restante será aplicado em pesquisa e desenvolvimento (P&D) de medicamentos e estudos clínicos.
Na primeira fase, os próprios acionistas vão portas os recursos. O BNDES vai financiar parte do projetos de expansão dessa companhia.
A expectativa de receita líquida para o primeiro ano de operação da Bionovis é de R$ 500 milhões – e poderá atingir R$ 1,5 bilhão quando os sete estiverem prontos. Para montar a “inteligência” de P&D da Bionovis, serão contratadas 50 pessoas.
Valor Economico

Aurora investe R$ 61,5 milhões em reabertura de unidade

A empresa reabrirá uma unidade em Santa Catarina, que estava paralisada desde abril de 2009.
A Aurora Alimentos anunciou nesta segunda-feira (14/1) que investiu R$ 61,5 milhões para reabrir a indústria de Joaçaba, situada no meio-oeste de Santa Catarina.
Com isso, o frigorífico pretende dobrar a capacidade de abate e processamento de suínos destinados à exportação.
A unidade estava paralisada desde abril de 2009, no auge da crise financeira. A empresa pretende retomar o abate em Joaçaba em janeiro de 2014, e deve concentrar a maior parte da produção de suínos para exportação nessa unidade.
"Retomaremos o abate no primeiro dia útil de 2014", anunciou o presidente da empresa, Mário Lanznaster.
As obras iniciaram em dezembro de 2012, e devem terminar em dezembro deste ano. Com a ampliação - que representa mais 15 mil metros quadrados de área construída e compreende os setores administrativos, industriais, de tratamento de efluentes e de apoio - o complexo ficará com área total de 25 mil metros quadrados.
A Aurora estima que a reabertura do frigorífico criará 800 empregos diretos.

Brasil Econômico

Venda de genéricos sobe 30% até novembro

Conforme Telma Salles, presidente da Pró Genéricos, o setor trabalha com a expectativa de aumentar o acesso a medicamentos com políticas públicas

A comercialização de medicamentos genéricos no país atingiu 621,4 milhões de unidades (caixas) no acumulado do ano até novembro, um crescimento de 19% sobre igual período do ano passado, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró Genéricos). Em receita, as vendas totalizaram R$ 10,2 bilhões, aumento de 29% em relação aos 11 meses de 2011.

De janeiro a novembro, a venda total de medicamentos, incluindo os de referência, similares e genéricos, alcançou 2,371 bilhões de unidades (caixas) no acumulado, alta de 12% sobre igual período do ano passado, de acordo com dados da consultoria IMS Health. O faturamento do setor no período somou R$ 45,5 bilhões, aumento de 12% em relação aos 11 meses de 2011. Os valores até novembro deste ano já superaram as vendas de 2011, que encerraram R$ 42,8 bilhões. Vale lembrar que o IMS audita a receita bruta, sem as taxas de descontos concedidas pelos laboratórios.

As indústrias farmacêuticas foram uma das poucas que passaram longe da crise financeira global desencadeada em 2008, com expansão acima de dois dígitos, mas nos últimos meses começaram a sentir o impacto do desaquecimento da economia, com desaceleração das vendas. Para 2013, o setor está preocupado com a pressão dos custos. "As margens serão apertadas", afirmou ao Valor Telma Salles, presidente da Pró Genéricos.

De acordo com Telma, as taxas de descontos sobre os medicamentos genéricos que ficam, em média, em 50%, deverão ser menores a partir do próximo ano, considerando que os custos do setor, sobretudo com mão de obra, cresceram.

A participação dos medicamentos genéricos em unidades até novembro alcançou 26%. O setor busca superar 50% nos próximos anos, desempenho que já ocorre em países da Europa e nos Estados Unidos. A Pró Genéricos estima chegar a 30% no fim de 2013. "Vamos trabalhar para que o acesso aos medicamentos aumente a partir de políticas públicas", disse Telma.

O baixo crescimento da economia brasileira este ano acendeu um sinal de alerta no setor, que tem suas vendas respaldadas pela renda da população. Em alguns meses deste ano, a comercialização de medicamentos em volume deu sinais de desaquecimento.

Em 2012, as farmacêuticas produtoras de genéricos foram as que mais atraíram operações de fusões e aquisições no país, sobretudo de multinacionais. Os múltiplos pagos por ativos farmacêuticos neste ano superaram em 20 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida) - no mercado internacional os preços pagos pelos mesmos ativos giram em torno de sete a oito vezes o Ebtida. Um dos principais negócios do ano foi a aquisição do laboratório nacional Multilab pela multinacional japonesa Takeda, que quer expandir em genéricos em países emergentes.
 
Por Mônica Scaramuzzo   Valor Econômico

Setor farmacêutico espera crescer 14% neste ano

A indústria farmacêutica instalada no Brasil espera fechar o ano com faturamento aproximado de R$ 49 bilhões, segundo o Sindusfarma, sindicato do setor.

O número representa um aumento de 14% na comparação com o ano passado.

Em unidades vendidas, o incremento deve ficar em 10%, com 2,5 bilhões de caixas comercializadas.

"Houve um aumento da base de captação de dados neste ano, mas, em geral, o crescimento deve ser atribuído ao maior acesso da classe média", afirma Nelson Mussolini, presidente-executivo do Sindusfarma.

O impulso veio do avanço na categoria dos medicamentos genéricos, segundo ele.

O segmento, entretanto, cresceu com menor intensidade em 2012, de acordo com a presidente da Pró Genéricos, Telma Salles.

"Até setembro, se compararmos com o ano anterior, houve aumento, mas foi menos expressivo. Após o fechamento do ano, pretendemos entender melhor que fatores impactaram", diz Salles.

A menor rentabilidade identificada pelo setor neste ano se deve à elevação de custos, segundo o sindicato.

"O aumento do preço internacional das matérias primas, a questão cambial e a tributária geraram a pressão sobre os custos", afirma Mussolini.

"Além disso, por causa de uma escassez de mão de obra no setor, a média de aumento salarial da indústria tem sido muito superior ao reajuste de preço dos produtos. Todos esses fatores afetam o investimento em inovação."
 
Folha de S.Paulo  Maria Cristina Frias

Real H planeja crescer 70% com homeopatia para animais

Medicamentos para rebanhos e pets devem render R$ 26 milhões em vendas
 
Há quem diga que as tais gotinhas homeopáticas não passam de efeito placebo. O fato é que essa frente da medicina ganha cada vez mais adeptos em um mercado com potencial de crescimento até com pacientes pouco convencionais.
 
Desde 2009, a Real H, fabricante de ração e suplementos minerais para bovinos viu na homeopatia animal a oportunidade em um nicho que este ano deve render ao seu caixa algo em torno de R$ 26 milhões em receita. O valor é cerca de 24% do faturamento da companhia. O percentual ainda está abaixo do planejado, mas a estratégia é alcançar crescimento de 70% até 2022.
 
“A homeopatia só traz benefícios, porque não deixa resíduos, não debilita o animal e melhora a produtividade”, explica Marcelo Real, médico veterinário e diretor da empresa, fundada em 1985 por seu pai, o médico veterinário Claudio Martins Real, considerado referência quando se trata na homeopatia para animais.
 
Investimentos
 
Para atingir a meta de crescimento, a companhia está investindo R$ 4 milhões na ampliação do seu laboratório de desenvolvimento de produtos, que já é o maior da América Latina, no desenvolvimento desse tipo de produto. Mensalmente são produzidos 4 mil litros dos medicamentos.
 
Além disso, investiu outro R$ 1 milhão no lançamento de produtos neste ano. Ao todo foram 8 lançamentos para pet e 6 novidades para o mercado de grandes animais, mais voltado para rebanhos de bovinos produtores de carne e leite e também no tratamento de equinos.
 
Todos os anos, a empresa investe R$ 1 milhão em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. “Com isso estamos crescendo em média 20% ao ano em rebanhos”, explica Real.
 
Exportações
 
Mas é o mercado pet quem mais vem dando retorno à companhia. Com uma linha composta por 17 medicamentos nas gôndolas das principais redes de petshops do país, a HomeoPet vem crescendo 40% ao ano. A empresa, que já exporta para o mercado paraguaio e colombiano, agora se prepara para novas investidas, especialmente no mercado da Argentina, Uruguai, México, Panamá e África do Sul.
 
Real revela que um grande laboratório instalado no Brasil também já oferece em seu portfólio um dos produtos desenvolvidos no centro de pesquisas da companhia. “Temos outras duas empresas interessadas em distribuir alguns dos nossos rótulos”.
 
Rações
 
Com um portfólio de rações, suplementos minerais e volumosos, a Real H também se mantém no mercado de nutrição animal, onde está há mais tempo.Até o final do ano, a expectativa da companhia é faturar outros R$ 80 milhões com a venda de rações e suplementos minerais.
 
Por mês, na fábrica da empresa em Campo Grande (MS), são produzidas 6 mil toneladas dos produtos, vendidos de forma personalizada, de acordo com as necessidades do cliente. Com isso, a receita em 2012 deverá chegar a R$ 106 milhões.
 
Brasil Econômico- Juliana Ribeiro